Asma

ASMA

Em primeiro lugar é preciso entender como funcionar o aparelho respiratório. O ar respirado passa pelos “tubos” (traquéia, brônquios e bronquíolos) do aparelho respiratório e chega até os alvéolos (espaço aéreo) dos pulmões para troca de ar. Neste local, os pulmões suprem oxigênio e retiram o gás carbônico (dióxido de carbono) do organismo. A via aérea normal está coberta por uma camada protetora, a mucosa ou epitélio. Esta camada é formada por vários tipos de células com diferentes funções. Algumas podem produzir muco enquanto outras ajudam a retirar o muco das vias aéreas empurrando as secreções para fora por meio dos cílios, que se encontram na superfície destas células.

A palavra asma quer dizer “sufocação”, e é usada como um termo genérico que engloba uma condição caracterizada pela ocorrência de falta de ar causada pelo estreitamento dos brônquios ( vias aéreas do pulmão). A definição mais simples é uma obstrução das vias aéreas, que é reversível, total ou parcialmente, seja espontaneamente ou com uso de medicamentos.

Isto quer dizer, que a asma é uma inflamação alérgica das vias aéreas provocada pelo aumento de sua sensibilidade a fatores específicos (desencadeadores ou gatilhos) ocasionando estreitamento das vias aéreas, reduzindo o fluxo de ar que passa por elas, fazendo com que a pessoa sinta falta de ar (chiado no peito e canseira). Esta sensibilidade das vias aéreas é conhecida como “hiperreatividade brônquica”.

Durante um ataque de asma, as paredes dos músculos dos brônquios e bronquíolos (vias aéreas) se contraem, causando um estreitamento do seu diâmetro interno. O aumento da secreção de muco e a inflamação da parede interna das vias respiratórias ocasionam mais outros estreitamentos.

A asma pode ocorrer com um ou mais dos seus sintomas: tosse, chiado no peito, falta de ar e opressão no peito. O chiado no peito e falta de ar são facilmente reconhecidos, aparecendo, de modo geral, em resposta a um desencadeador ou sem motivo aparente. A falta de ar e sem chiado no peito pode ocorrer com freqüência.

O diagnóstico da asma é feito pela história clínica bem detalhada sobre os tipos de sintomas, antecedentes pessoal e/ou familiar de alergia, o que os fazem aparecer, quanto tempo duram, qual o seu grau de intensidade e se há padrões reconhecíveis de sintomas, é o meio essencial para auxiliar o médico no diagnóstico clínico.

Após o diagnóstico clínico é importante detectar a causa. Não basta tratar os sintomas é importante combater a causa. Isto se faz com combinação de dados obtidos através da história clinica detalhada (anamnese) e fatores desencadeantes, complementando-se com os resultados dos exames, como os testes alérgicos e/ou exame de sangue (dosagem sérica da IgE específica ou alérgenos específicos).

Existem os exames “in vivo” que são os testes alérgicos, que por sua vez pode ser por puntura (gotas na pele) e/ou intradérmicos (injetado debaixo da pele). Além disso pode ser realizada a prova de provocação brônquica com espirometria (não se utiliza este procedimento na clínica habitual).

Os exames “in vitro” (feito através do sangue ou secreção nasal) são da dosagem total de IgE, a dosagem da IgE específica, citologia de secreção brônquica e biópsia brônquica (raramente utilizado) e dosagem dos mediadores inflamatórios (estes geralmente somente para pesquisa médica).

A conduta frente a um paciente asmático é global, ou seja, é importante afastar os possíveis alérgenos (evitar poeira, fungos, animais, perfumes, fumaça de cigarro, produtos químicos, etc.), usar medicamentos para controlar as crises de alergia e quando necessário e possível, utilização das vacinas de alérgenos (imunoterapia).

Embora o diagnóstico da asma seja clínico é importante detectar a causa das crises. Além do tratamento medicamentoso há várias maneiras para ajudar a reduzir os sintomas. Evitar o agente causal é uma das mais importantes armas para combater desta doença. O controle do ácaro da poeira domiciliar pode ser muito importante para alguns pacientes, assim como evitar locais com fungos (mofo ou bolor), evitar animais domésticos e fumo no ambiente domiciliar e profissional.

Ácaros da poeira são os principais desencadentes de uma crise de asma e os mais prevalentes no nosso pais (80% dos alérgicos são sensíveis aos alérgenos dos ácaros) e geralmente presentes no colchão, travesseiro, cortinas, livros velhos, tapetes e móveis estofados. Em seguida os animais de estimação, fungos ou mofo e os polens (também podem estar presentes de modo perene em certas regiões do país).

Os medicamentos usados no tratamento da asma podem ser divididos em três grandes grupos conhecidos como: paliativos (de alívio), profiláticos (preventivos) e emergenciais (de reserva).

Os medicamentos paliativos ou de alívio são chamados de broncodilatadores e geralmente são utilizados sob a forma inalatória. Estes medicamentos agem relaxando a musculatura das paredes dos brônquios permitindo sua abertura, o que facilita a inspiração e expiração do ar, aliviando os sintomas. Podem ser utilizados regularmente para manter a asma sob controle ou somente nas crises. As principais drogas são: salbutamol, terbutalina, fenoterol, e formoterol.

Os medicamentos profiláticos agem reduzindo a inflamação das vias aéreas, diminuindo sua hiperreatividade ou irritabilidade. A via inalatória é mais eficaz para sua prevenção e seu alívio, exceto para as drogas que tem ação anti-leucotrienos (via oral). Há três tipos de medicamentos profiláticos: os esteróides (cortisonas), as cromonas (cromoglicato dissódico e nedocromil) e os que bloqueiam os leucotrienos (são mediadores químicos que provocam crise de asma). Os principais anti leucotrienos são: zafirlucast e montelucaste. Além destas, um outro tipo de droga que foi e é muito utilizada são as teofilinas.

Existem dois tratamentos emergenciais disponíveis que são fundamentais: altas doses de medicamentos broncodilatadores e altas doses de medicamentos antiinflamatórios como os esteróides injetáveis ou ingeridos por via oral. Os pacientes com crises graves de asma devem procurar imediatamente o pronto atendimento de um hospital ou seu médico.

Finalmente, o tratamento com vacinas de alérgenos (imunoterapia) é eficaz e o único procedimento que trata a causa da asma. A introdução do próprio alérgeno no organismo do paciente alérgicos em doses progressivamente crescentes, tem como objetivo estimular o sistema imunológico e consequentemente diminuir a sensibilidade alérgica, através da formação de anticorpos bloqueadores e imunomodulares.