Acaros, Fungos, Epitélio

Alérgenos: são os causadores da reação alérgica. Em medicina é denominado de “antígenos”. Estes antígenos estimulam a produção de IgE (imunoglobulina E) que é o principal responsável pela cascata da reação alérgica. O indivíduo alérgico (asma, rinite) tem reação imediata positiva com formação de pápula (nódulo) e eritema (vermelhidão) quando o alérgeno é introduzido na pele para a realização do teste cutâneo. O mesmo ocorre quando o indivíduo alérgico inala ou ingere o alérgeno (produto do qual a pessoa é alérgica) e a reação do alérgeno com a IgE provoca a liberação de vários mediadores químicos e consequentemente as crises alérgica (os sintomas variam de acordo com o órgão choque).
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Aeroalérgenos: são antígenos existentes no ar que podem causar alergia. Devem estar presentes em quantidades significativas, ter tamanho relativamente pequeno e ser flutuantes. Os alérgenos inalantes podem ser pólen de plantas, fungos ou mofos, produtos de origem animal, artrópodes ou ácaros e, raramente, algas. Alérgenos extradomiciliares, como pólen e esporos de fungos, tendem a ser liberados na atmosfera nas estações específicas de cada aeroalérgeno. A sensibilização a um pólen não é comum no Brasil (exceto na região sul) e a temperatura, a umidade, assim como a direção e a velocidade do vento, influenciam a concentração de aeroalérgenos.

Ácaros: os ácaros da poeira são encontrados em todo o mundo. Os ácaros da poeira são aracnídeos (pertencem a família das aranhas). Podem ser vistos através de um microscópio comum. As espécies Dermatophagoides pteronyssinus e Blomia tropicalis são as mais comuns no Brasil. Os ácaros preferem locais com umidade relativa acima de 50% e temperaturas de 18 a 26°C. Os ácaros da poeira raramente são encontrados em climas secos e em grandes altitudes. Os ácaros da poeira doméstica alimentam-se principalmente de descamação de animais e humanos, fungos e outros restos encontrados em ambientes humanos. Altas concentrações de ácaros da poeira são encontradas em colchões, travesseiros, tapetes e móveis estofados. Em um grama de poeira domiciliar pode conter mais de 1.000 ácaros.

Fungos: os mofos ou fungos alergênicos podem ser divididos em fungos de estocagem (ambientes fechados, perenes) e de campo (sazonais), embora algumas espécies sejam alérgenos importantes em ambientes fechados e abertos. Alternaria e Cladosporium são os fungos de ambientes externos mais comuns e são encontradas em plantas e folhas em decomposição. Outros fungos comuns em ambientes abertos são Aspergillus, Penicillium e Botrytis. Os fungos de estocagem Aspergillus e Penicillium são os principais fungos de ambientes fechados e podem crescer em umidade mais baixa em celeiros, galpões e dentro de casa, sobretudo em porões. Penicillium, que pode ocorrer em abundância em ambientes fechados, é um bolor verde encontrado em artigos armazenados em porões úmidos e em alimentos em decomposição. Rhizopus e Cladosporium também são encontrados com freqüência em ambientes fechados, em particular onde há madeira podre. Vaporizadores e umidificadores contaminados com fungos tornam-se fontes de esporos. Alternaria foi reconhecida como fator de risco de morte por asma. Cerca de 25% dos asmáticos têm teste cutâneo positivo para Aspergillus. Pacientes em alergia a fungos (freqüentemente crianças) em geral têm asma porque os pequenos restos de fungos (em particular esporos) podem penetrar nos pulmões.

Épitelios de animais: é comum indivíduos serem sensibilizados por epitélios ou saliva animal. Alguns relatam vermelhidão (eritema) no corpo ou placas de urticária após serem “lambidos” por cão ou gato, ou irritação ocular (com coceira, vermelhidão, lacrimejamento) após contato com o animal. Também pode sentir sintomas de rinite alérgica (espirros seguidos, coceira (prurido) no nariz, coriza (secreção nasal) e nariz entupido (obstrução nasal). Os alérgenos mais importante são encontrados na saliva, nas glândulas sebáceas da pele e pelos. O tamanho dos pelos não interfere nos sintomas ou gravidade da alergia. O que causa alergia são frações de proteínas que podem estar na saliva, epitélio e urina.